Pesquisadores estudam mecanismos de controle da saciedade na obesidade

     

Pesquisadores do Ensino e Pesquisa Santa Casa BH (EP SCBH) tentam descobrir os motivos que levam um hormônio a falhar na missão de causar, no hipotálamo, a sensação de saciedade após a ingestão de alimentos. Produzida pelo tecido gorduroso, sabe-se que a leptina deixa de agir como deveria em determinado ponto da obesidade. A pesquisa também pretende desvendar quando isso ocorre. Os estudos nessa área ainda são recentes – mesmo internacionalmente.  No EP, a pesquisa iniciou há cerca de quatro anos.

Para a realização dos estudos, camundongos são submetidos a uma dieta rica em gordura. Após dezesseis semanas de indução à dieta, é comprovado o aumento do peso, juntamente com o aumento do açúcar no sangue, e da leptina circulante. Assim como nos humanos obesos, o hormônio deixa de desempenhar seu papel sacietógeno. Foram feitas análises no laboratório usando o hipotálamo dos camundongos (região do cérebro envolvida na regulação do apetite) e a partir dessas análises foi possível observar com diferença significativa a regulação de alguns alvos gênicos entre o grupo controle e o grupo que se alimentou de dieta rica em gordura. A descoberta de novas informações sobre as falhas da leptina podem conduzir a pesquisas farmacológicas, com o desenvolvimento de mecanismos de tratamento mais específicos e, dessa forma, possibilitar maiores chances de sucesso às pessoas que lutam contra a obesidade. O trabalho vem sido desenvolvido no Laboratório de Pesquisa da Santa Casa de BH e é considerada uma pesquisa original, pouco se sabe sobre a regulação da transcrição desses genes no hipotálamo de obesos.

Estão à frente dos estudos o farmacêutico Dr. Fernando Rubatino, a bióloga Luana Ferreira, mestre em Ciências da Saúde, os biomédicos Leonardo Rossi e Mariana Lacerda, mestrandos em Ciências da Saúde. A equipe está sob supervisão da Dra. Karla Fernandes.

Os responsáveis pelo estudo recebem bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A pesquisa é desenvolvida com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).