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O passo a passo da Febre Amarela

07/04/2017

     
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda que alcançou níveis de atenção e controle epidemiológicos por conta de sua gravidade clínica e pelo alto índice de disseminação em ocorrência no País. Desde o início dos casos, o Ministério da Saúde alerta sobre a quantidade e qualidade das informações repassadas sobre a doença e reforça que é importante que se busque fontes seguras e oficiais sobre o assunto, principalmente no que diz respeito aos sintomas e à vacinação.
 
De acordo com o médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Grupo Santa Casa BH, dr. Jorge Saliba, a febre amarela, que ocorre nas Américas do Sul e Central e em alguns países da África, é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres: “sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos - a diferença está nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. No meio urbano, a transmissão se dá através do Aedes aegypti (o mesmo da Dengue, Zika e Chikungunya). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano”.
 
Os casos de macacos que apareceram mortos ou infectados com a doença também suscitaram apreensão por algumas pessoas, mas é importante frisar que o primata não transmite a febre amarela. Conforme explica dr. Saliba: “além do homem, a infecção também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma não aparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa também não transmite a doença diretamente para outra. No entanto, a identificação de casos nos animais fornece valiosas informações sobre a circulação do vírus, servindo como alerta para as autoridades atuarem no controle. Caso encontre um animal doente ou morto, o cidadão deve acionar a vigilância epidemiológica e informar o ocorrido”.
 
Sobre a vacinação, alguns mitos ainda precisam ser desmistificados. Por exemplo, se a pessoa não mora na área de recomendação ou vai se deslocar até essa área, não precisa se vacinar. Mudanças no Calendário Nacional de Vacinação eliminaram a necessidade de tomar a vacina a cada 10 anos, as duas doses são suficientes para a proteção do indivíduo por toda a vida. De acordo com o dr. Jorge Saliba, a vacina apresenta eficácia de 95%. Outro mito que tem se espalhado é que a vacinação impede totalmente a doação de sangue. No entanto, a doação de sangue deve ser evitada por no mínimo 4 meses, mas não impede a doação para sempre. Caso queira doar após este período, o doador deve avisar o banco de sangue sobre a data da vacinação.
 
Como qualquer outro imunobiológico, há certas contraindicações. O Programa Nacional de Imunizações preconiza que a vacinação está contraindicada para crianças menores de 6 meses de idade e mulheres que amamentam bebês nessa faixa etária. Dr. Jorge Saliba explica as exceções: “na impossibilidade de adiar a vacinação, ou seja, aquelas mães residentes em área de risco (com ocorrência de morte de macacos e casos prováveis/confirmados), deve-se apresentar opções para evitar o risco de transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno, como praticar a ordenha do leite previamente à vacinação e mantê-lo congelado em freezer ou congelador para uso futuro. Caso a ordenha não seja possível, devemos encaminhá-las à rede de banco de leite humano”. Já para as gestantes, adota-se uma situação especial: “a decisão de vacinar deve ser tomada após uma avaliação médica, levando em consideração o risco-benefício. Cada caso é único”.

Para conferir outros casos em que a vacinação pode ou não ser administrada e as áreas de recomendação, acesse portalsaude.