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Na visão dos especialistas

03/03/2017

     
Com o crescente acesso a todo tipo de informação, principalmente através de canais digitais, cresce o debate sobre o que faz bem ou mal ao corpo humano. Frequência ideal das refeições, aplicação de protetor solar, jejum para exames médicos... sobre esses assuntos, nem sempre há consenso em blogs, sites e redes sociais, mas algumas definições são consideradas inquestionáveis pelos médicos - confira:
 
Mesmo chegando ao final do verão (21/03), a proteção solar não deve ser deixada de lado. Escolher e aplicar o protetor de forma correta é ideal, mas, segundo a dermatologista da Santa Casa BH, dra. Gláucia Vianna, “devemos pensar em proteção solar incluindo itens como roupas, óculos e chapéus. Deve-se avaliar o tipo de pele, pois peles mais claras exigem mais proteção. Outro detalhe é que as pessoas passam o protetor, mas costumam esquecer áreas como orelhas, pescoço e pés. Há duas principais recomendações para a proteção: no dia a dia, aplicar pela manhã e na hora do almoço; e, quando em exposição prolongada (piscina, praia e atividades ao ar livre), aplicar de 15 a 30 minutos antes de sair e renovar a cada 2 horas. Em dias nublados, seguir a mesma regra”.
 
Citando a Regra da Colher de Chá, divulgada no Consenso Brasileiro de Fotoproteção - documento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) -, dra. Gláucia Vianna esclarece em que quantidades o protetor solar deve ser aplicado em cada área do corpo: “rosto, cabeça e pescoço exigem 1 colher de chá; braço e antebraço, 1 colher de chá em cada; coxas e perna, 2 colheres de chá em cada; e frente e costas do torso, 2 colheres de chá em cada aplicação”. Para conferir outras recomendações de proteção do documento da SBD, acesse: https://goo.gl/xum5na.
 
Ainda segundo a especialista, os perigos do câncer da pele - tipo mais comum de câncer - são muito maiores do que os baixos
níveis de vitamina D, que podem ser corrigidos com poucos minutos de exposição ao sol. A frequência com que se solicitam exames para verificar a vitamina D ainda é um tema em discussão, conforme a esclarecimento da dra. Gláucia Vianna: “a quantidade ideal dessa vitamina no corpo ainda é um assunto polêmico e que gera discussões no campo da dermatologia. A definição de quanto o nível está realmente baixo ainda é controverso. No mais, recomenda-se ir ao médico pelo menos uma vez por ano para verificar se não há lesões suspeitas e manter a saúde da pele”.
 
Outro assunto que suscita discussões é a orientação de espaçar os horários das refeições em 3 horas. De acordo com a endocrinologista da Santa Casa BH, dra. Gabriela Franco Mourão, ficar de olho no intervalo das refeições “é ideal, principalmente se há uma doença envolvida, como o diabetes, por exemplo, reduzindo as chances de hipoglicemia. Para a população saudável, não é que a pessoa vá se sentir mal por ficar períodos maiores de tempo sem se alimentar, mas aumentam as chances de prejudicar o equilíbrio saudável das refeições, pois iniciará a próxima após um jejum prolongado. As refeições devem ser distribuídas conforme o gasto calórico cotidiano. Além disso, é importante equilibrar os alimentos não só pela quantidade, mas também pela qualidade”.
 
A nutricionista do Centro de Especialidades Médicas Santa Casa BH, Marina Wardi, afirma que é importante também observar as condições de saúde de cada indivíduo: “existem alguns casos em que refeições mais frequentes são necessárias para melhor controle do metabolismo e funcionamento saudável do organismo. Por exemplo, para um indivíduo com diabetes manter um bom controle glicêmico, recomenda-se que as refeições tenham intervalos regulares. Pessoas com gordura no fígado - se ficam longos períodos sem comer - podem ter o metabolismo prejudicado, fazendo com que a gordura seja armazenada de forma incorreta. Em alguns casos de obesidade, a prática de comer a cada 3 horas melhora o mecanismo de saciedade, reduz as ‘beliscadas’ fora de hora e regula a liberação de hormônios relacionados à fome”.
 
Outro assunto polêmico, a flexibilização do tempo de jejum para coleta de sangue para exames que medem níveis de lipoproteínas (colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos), recentemente também se tornou pauta frequente na mídia. Considerando-se os avanços das técnicas de análises clínicas, alguns laboratórios não exigem mais a obrigatoriedade do tempo de jejum de 12 horas antes do exame. A medida beneficia toda a população, especialmente pacientes como crianças, idosos e portadores de diabetes. A recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicada no final de 2016 em consenso com outras entidades, alerta que, “em situações específicas em que as concentrações de triglicérides estão excessivamente altas (acima de 440 mg/dL), o médico poderá solicitar a coleta com o jejum de 12 horas”. Já para a utilização da glicemia como critério para diagnosticar o diabetes, o jejum preconizado pela SBC é de 8 horas.