Epigenética e obesidade

30/05/2017

     
Com diversas opções de linha de pesquisa e sob orientação de docentes altamente qualificados, os alunos do Mestrado Acadêmico do Instituto de Ensino e Pesquisa Santa Casa BH contam também o suporte de modernos laboratórios para pesquisa. O programa possui nota 4 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
 
O Mestrado Acadêmico é voltado para o ensino e a pesquisa, ou seja, profissionais que trabalham na busca de novos conhecimentos e/ou o aprofundamento intenso em determinado campo do saber. Esse, por exemplo, é o caso dos alunos do IEP SCBH Luana Assis Ferreira (mestranda) e Fernando Rubatino (dutorando) que, sob orientação da dra. Karla Fernandes, desenvolvem pesquisas para compreender os mecanismos epigenéticos associados à obesidade.
 
A epigenética permite a regulação dos genes sem envolver mudanças diretas na sequência do DNA e essas alterações podem ser mantidas para as próximas gerações. Luana foi o primeiro destaque, no final de abril, no novo espaço do site Minas Faz Ciência - Portal Uai, na seção em que pós-graduandos contam suas experiências de pesquisa. 
 
A equipe trabalha com camundongos isogênicos - geneticamente semelhantes - que possuem alta susceptibilidade à obesidade. Os camundongos foram separados em dois grupos. Um grupo recebeu uma dieta padrão, ou seja, distribuição calórica normal (proteínas, carboidratos, gordura em níveis normais) e o outro foi alimentado durante 8 semanas com uma dieta padrão e 8 semanas com uma rica em gordura (hiperlipídica). Os animais eram pesados semanalmente e ao final do ensaio, foram realizadas análises nos cérebros dos camundongos, mais especificamente no hipotálamo, área importante para visualizar aspectos relacionados à saciedade. 
 
“Os resultados mostraram que houve um ganho de peso no grupo que recebeu a dieta com mais gordura. Comparando os dois grupos, nos animais que receberam uma dieta rica em gordura, observou-se a baixa expressão de alguns genes. Os genes Rab3Gap1 e Rab3Gap2, que atuam no transporte neuronal, estavam menos expressos. Sendo assim, a baixa expressão dos referidos genes compromete a troca de informações no cérebro. Além disso, prejudica não somente a saciedade que direciona à obesidade, mas também outros mecanismos no organismo, já que podem não funcionar muito bem devido a uma alimentação hiperlipídica que alterou a expressão do gene”, explicou Luana.  
 
A mestranda afirma que os resultados da sua pesquisa são animadores e esclarece os próximos passos: ‘’até agora, avaliamos os níveis de transcrito de vários genes, e cada gene é responsável por codificar uma proteína. O próximo passo é avaliar a expressão dessas proteínas para entender melhor o fenômeno, avaliar os níveis de outros genes e comparar com os dados presentes na literatura’’.


(Da esq. para a dir.: dra. Karla Fernandes, Luana Assis e Fernando Rubatino - Foto: Almir S. Gomes/SCBH)