Diferenciado ofício

11/01/2016

     
Domingos Venâncio: anos de experiência garantem a qualidade do serviço
Há uma profissão que não é considerada “nobre” no mercado de trabalho, mas há séculos possui fundamental importância no decurso natural da civilização humana. Os profissionais deste setor frequentemente recebem elogios e agradecimentos pelo resultado de seu ofício.

Responsáveis pelos procedimentos que promovem a higienização e a conservação do corpo de pessoas falecidas, promovendo também reconstituições e melhorias na aparência facial, os tanatopraxistas são inquestionavelmente essenciais.
 
Além de melhorar a congestão facial e a aparência do falecido, a tanatopraxia visa evitar o inchaço, o vazamento de líquidos e o mau cheiro, promovendo a conservação temporária para velórios, funerais e traslados por meio da substituição do sangue, secreções e líquidos corporais por substâncias específicas e realizando o tamponamento dos orifícios anatômicos.  O ofício tem ainda a função de evitar problemas sanitários e de saúde pública, bem como impedir a transmissão de doenças.
 
O tanatopraxista Domingos Venâncio, 46, é funcionário do Grupo Santa Casa BH há 23 anos. Antes de ingressar na instituição, era vendedor de balas e doces. No GSCBH, foi inicialmente funcionário do setor de higienização e em seguida foi transferido para a Central de Materiais Esterilizados, onde um colega de trabalho comentou sobre uma vaga aberta na Funerária Santa Casa BH. “No começo fiquei receoso, mas aceitei o emprego. Há muitos anos, cada um tinha a sua maleta e, às vezes, preparávamos o corpo na residência ou no local do velório. Com o passar do tempo, participei de treinamentos, o novo laboratório foi ativado e os materiais e o local de trabalho melhoraram muito, bem como os equipamentos de proteção que nos deram mais segurança no serviço. Desde então tem sido uma boa experiência. Cada corpo é um corpo e todos os dias aprendemos uma coisa nova”, afirmou Domingos Venâncio, que pretende se aposentar na profissão.
 
A satisfação dos que são beneficiados pelo trabalho de tanatopraxia incentiva os profissionais do setor. “As pessoas, às vezes, nos perguntam como temos coragem de fazer isso. Mas alguém precisa fazer... e fazer bem feito. A família muitas vezes agradece, já que, por exemplo, vê o corpo no IML e novamente no velório e, depois do nosso trabalho, ficam satisfeitos. Um elogio sempre nos motiva a trabalhar melhor”, completou o tanatopraxista.
 
FORMAÇÃO
 
Dentre serviços de limpeza, reconstituição (quando necessário), tamponamento, vestimenta, acomodação na urna e ornamentação, são preparados em média cerca de 20 corpos por dia na Funerária Santa Casa BH, além da produção diária de dezenas de coras de flores. A equipe de tanatopraxia conta com 34 profissionais, trabalhando 24 horas.
 
Para atuar na área, é exigida formação técnica especial. No curso oferecido pela própria Funerária Santa Casa BH em parceria com o IEP SCBH, que reúne alunos de todo o País, são tratados temas como noções de anatomia, tanatopraxia padrão, avançada e de necropsiado, instrumental utilizado, legislação e segurança, noções de ética, embalsamamento e embalsamamento internacional.