112 anos de história


Todo dia mais forte e saudável.


A década de 1890 marcou um tempo de grande importância na vida dos mineiros. Em 1897, nascia Belo Horizonte, a Capital tão planejada. Dois anos depois, em 1899, iniciava-se a história da Santa Casa de Belo Horizonte - um dos maiores complexos hospitalares do País e hoje esta respeitável matriarca centenária que cuida de todos os que dela precisam.

Em 10 de abril de 1898, um grupo de 46 personalidades da Capital Mineira, percebendo a carência de assistência médica aos menos favorecidos, principalmente indigentes, formaram a Associação Humanitária da Cidade de Minas, o primeiro passo para a construção de um hospital que pudesse atender a parcela carente da população belo-horizontina. Com o apoio do ex-presidente do Estado, Afonso Pena, numa nova reunião, em 21 de maio de 1899, elaboraram-se os estatutos da Sociedade. Foram abertas as inscrições para sócios-fundadores e adotadas outras providências próprias de um  empreendimento do alcance social que um hospital filantrópico poderia ter na Capital recém-inaugurada. Uma comissão formada por médicos e engenheiros propôs e aprovou junto à Prefeitura de Belo Horizonte o local mais apropriado à edifi cação: o quarteirão onde hoje encontra-se o Complexo Hospitalar José Maria Alkmim.

Mas a situação requeria urgência – desempregados, mendigos e doentes espalhavam-se pelas ruas. A construção em alvenaria, por menos que durasse, requeria tempo que não se podia esperar. Surge a idéia do Hospital-barraca. A partir da contratação da obra de construção das instalações definitivas do Hospital, foram erguidas barracas de lonas que haviam servido de enfermarias durante a construção da Capital. Foi então que, em 8 de setembro de 1899, festa da Natividade de Nossa Senhora, inaugurou-se o que passou a se denominar Hospital-barraca, que, durante quase 16 meses, contando com a abnegação de Cícero Ferreira, Salvador Pinto, Olinto Meireles e Virgínio Bhering e alguns empregados improvisados em enfermeiros, teve início a batalha contra as enfermidades. Nascia a grande e carismática Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, que assim passou a ser chamada a partir de 21 de abril de 1900.

As dificuldades, todavia, não se limitavam à necessidade de suavizar um quadro sanitário que se agravava e comprometia os 15 mil habitantes espalhados por uma cidade projetada para 400 mil. Não fosse o apoio financeiro dos seus iniciadores, do empresariado, da parcela mais favorecida da população, do Estado e da Prefeitura, através dos governantes da época, a Santa Casa não teria passado de um sonho. Felizmente, prevaleceu o altruísmo, permitindo a bênção e inauguração do seu primeiro pavilhão, em 1º de janeiro de 1903, e, daí, até 1911, seguiram-se outras obras, com as quais se concluiu o projeto original.

Sempre fiel ao seu propósito humanitário, a Santa Casa continuou sua trajetória de atender, com carinho e dedicação, os mais carentes de Belo Horizonte e interior do Estado, provendo esforços, não somente para manter-se abastecida dos recursos indispensáveis ao seu funcionamento, para cumprir com seus compromissos junto a funcionários e fornecedores, mas também para manter-se tecnologicamente atualizada. Nesse sentido foi que, em fins da década de 1940, decidiu-se pela construção do prédio onde hoje são atendidos os pacientes encaminhados pelo SUS e convênios, além de ambulatórios, instalações médicas e administrativas.

Resta salientar o importante papel desempenhado pelos provedores da Santa Casa, que jamais mediram esforços em suas tarefas. Sem isto, dificilmente teríamos contado com tão importante marco da medicina mineira, que, dentre outros valores, foi berço da Faculdade de Medicina, da UFMG, e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Agora, olhando em volta as inúmeras ramificações, percebemos a dimensão deste sonho e o quanto valeu a pena este caminho que congrega o Grupo Santa Casa de Belo Horizonte.